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Quem é afinal Ivo Rosa?

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Quando em setembro 2018 faltavam poucos dias para ser conhecido o resultado do sorteio que ia ditar qual juiz ficaria responsável pela instrução do Caso Maquês, José Sócrates cruzava os dedos para que fosse Ivo Rosa e não o juiz Carlos Alexandre. Mais de dois anos depois, Ivo Rosa fez o ex-primeiro-ministro voltar a sorrir esta sexta-feira, 9, ao deixar cair as acusações de corrupção.

Naquele ano, a defesa de Sócrates queria a todo custo que Carlos Alexandre fosse afastado do caso, mas viu todos os seus pedidos serem negados. A sorte sorriu ao ex-primeiro-ministro em setembro, com o sorteio eletrónico.

Mas por quê a defesa de Sócrates queria tanto que Ivo Rosa assumisse o caso e, pelo contrário, os procuradores nem queriam pensar nesta hipótese? Ivo Rosa há muito é conhecido por ser um sinal de alerta para o Ministério Público. Para o juiz, as suas decisões são baseadas em provas irrefutáveis – o que dificulta a vida da acusação em casos de corrupção.

“As hipóteses de alguns arguidos serem despronunciados é significativamente maior com Ivo Rosa do que com Carlos Alexandre”, disse uma fonte judicial ao ‘Diário de Notícias’ em 2018, num texto em que Ivo Rosa é chamado “cético”.

Apesar de não dar seguimento às acusações de corrupção contra Sócrates, Ivo Rosa fez questão de sublinhar que o ex-primeiro-ministro não vai ser julgado por corrupção porque o crime prescreveu, no entanto a entrega de dinheiro em numerário, num montante de 1,7 milhões de euros, por Carlos Santos Silva a José Sócrates “levanta dúvidas”. Serão estas dúvidas que vão levar novamente Sócrates ao tribunal para responder por suspeitas de branqueamento de capitais.

O juiz de 54 anos de idade, natural de Santana, na Madeira, orgulha-se da agilidade a concluir processos. “Nunca tive um processo atrasado ou uma decisão fora de prazo”, revelou numa entrevista à RTP Madeira, citado pelo ‘DN’. Afirmando ainda ser “muito exigente” consigo próprio.

Decisões que marcam a carreira

Ivo Rosa é o mesmo juiz que teve nas mãos o caso do “Gangue do Multibanco”, que entre 2008 e 2009 varreu o País com mais de 100 assaltos. Enquanto juiz-presidente do coletivo das Varas Criminais de Lisboa, julgou 12 arguidos acusados de crimes graves como associação criminosa, roubo agravado, furto qualificado, detenção de arma proibida e tráfico de droga. Apenas Jonny Portela recebeu uma pena de prisão de 2 anos e 6 meses por tráfico de drogas, uma decisão que marcou a carreira do juiz.

O julgamento foi anulado em 2012, sendo 8 dos 12 arguidos condenados.

Em Timor Leste, as suas decisões tiveram repercussões diferentes. Ao abrigo de um programa das Nações Unidas, Ivo Rosa assumiu em 2006 um lugar de juiz, onde ficou apenas três anos por o conselho da magistratura timorense não lhe renovar o contrato. No período que lá esteve, condenou o vice-presidente da Fretilin e antigo ministro do Interior, Rogério Lobato, a sete anos e seis meses de prisão, por co-autoria de quatro crimes de homicídio. Em causa estava a distribuição de armas a civis para matarem figuras da oposição.

Além disso, Ivo Rosa chumbou propostas do Orçamento Rectificativo de 2008 por serem inconstitucionais.

“Fui despedido devido a decisões que tomei no âmbito das minhas funções, […] que não foram do agrado do poder político”, disse na entrevista à RTP Madeira.

fonte: FLASH

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