Início Nacional Volte-face? Novas revelações da mãe de Jéssica que pode mudar tudo

Volte-face? Novas revelações da mãe de Jéssica que pode mudar tudo

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Continua o julgamento dos arguidos, na morte de Jéssica Biscaia, a menina de Setúbal, brutalmente assassinada, no ano passado. A mãe decidiu prestar depoimento e foi ouvida esta quarta-feira, 5 de julho.

Inês Sanches é arguida neste homicídio, pela sua inação, por não ter feito nada para evitar que a filha, de três anos, fosse espancada até à morte.

Depois de muitas versões se terem ouvido, Inês Sanches contou, agora, em Tribunal, uma outra versão. “Entreguei a menina três vezes, porque eles ameaçavam-me para pagar a dívida do pai, de droga”, disse Inês, a apontar culpas também para o ex-companheiro e pai da criança.

O juiz não entendeu a relação de Inês, ou da criança, com a dívida do ex-companheiro. “Não dizia que não tinha nada a ver com essa dívida? O que a Jéssica tinha a ver com isto?”, questionou o juiz.

“Eu disse que não tinha nada a ver com aquilo, mas não me largavam e, se eu não entregasse a Jéssica, matavam a minha família e os meus filhos”, respondeu Inês, a dizer que também tinha a vida dos outros filhos sob ameaça, apesar de não ter avisado os cuidadores destes, de qualquer risco, o que o juiz também desconfiou. “Então, se não avisou, não tinha as ameaças como certas?”, atirou, mas ficou sem resposta.

O juiz voltou à carga, para perceber o comportamento de Inês, depois da referida dívida ter sido paga. “Então, se estava a ser ameaçada por causa da dívida de droga, que foi paga depois de muitas ameaças, porque foi outra vez às mesmas pessoas procurar serviços de bruxaria?”, perguntou o juiz. “Não sei”, respondeu Inês Sanches, sempre num registo choroso.

“A senhora passa à frente de polícias, duas, PJ e GNR, e decide entregar a filha em vez de pedir ajuda. Queria perceber porquê”, questionou novamente o juiz.

“Eu nunca pensava que eles iam fazer mal à minha filha. A primeira vez que a entreguei foi para brincar com a filha da Esmeralda”, respondeu Inês. O juiz notou o que parece ser óbvio para todos. “Por outro lado, tinha medo que matassem a sua família”, atirou o juiz. Portanto, Inês achava que não iam fazer nada à menina, apesar de achar que eles pudessem matar toda a sua família.

“Nós queremos perceber o que aconteceu com a Jéssica, temos que encontrar a verdade e apelo a que a senhora nos ajude a fazer justiça à sua filha e não pode ser com salpicos de verdade aqui e ali”, acrescentou o juiz.

“Ligaram-me [na véspera de a ter ido buscar] a pedir 40 euros para irem à farmácia buscar betadine para a menina porque caiu da cadeira. Fui ter com eles à pressa porque queria salvar a minha filha, bati com muita força à porta, queria vê-la.

Vi a menina no colo da Cristina, disse-lhe para pôr uma colher debaixo da boca, mas o Justo não me deixou aproximar. Pedi para ver a minha filha e disse-me para pagar o que devia, 500 euros, e depois via a minha filha. Entreguei os 40 euros e correram comigo fora de casa, porque estavam a vender droga”, contou Inês, o que poderá não ser verdade.

A investigação acredita que Inês interagiu com a menina nesse dia, com a criança, já em convulsão, antes de ir para o referido karaoke.

O juiz não entendeu a ação de Inês e porque não chamou a polícia, depois de ver a menina com convulsões, tendo até fotografado a criança, com hematomas. “Eu mostrei [a foto] a uma amiga do café, ela conhecia polícias, podia ter feito alguma coisa”, disse Inês, quase a justificar a sua negligência.

No dia seguinte, é que Inês foi buscar a menina, levando-a, supostamente, debaixo de ameaça. “A menina estava numa manta, com óculos escuros e quando cheguei a casa deitei a menina, tirei os óculos e vi que estava com os olhos negros e toda manchada”, contou Inês.
“Porque não foi logo ao hospital?”, quis saber o juiz, obtendo uma resposta pouco convencional. “Não me deu na cabeça ir ao hospital, sei lá, fiz o almoço para mim, para o Paulo e para a senhora Alice, não fiz para a menina porque estava a dormir”, respondeu, dizendo ainda que não revelou o estado da menina ao namorado.

“O Paulo não viu a menina, só quando ele ligou o 112 é que eu lhe disse que a menina tinha estado numa ama e que caiu da cadeira”, acrescentou.

O juiz insistiu sobre o facto de Inês não ter chamado a polícia, querendo perceber o porquê. “A polícia é a linha da frente na segurança. Por que é que a senhora tinha mais medo por si do que algo que nem sabe explicar e não foi procurar ajuda, nem fez qualquer esforço para a acordar?”questionou o juiz. “Não sei”, respondeu a mãe da pequena Jéssica.

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